Ameba 'comedora de cérebros' preocupa especialistas após avanço para novas regiões do mundo
Casos da ameba Naegleria fowleri têm sido registrados em locais onde antes eram considerados raros. Especialistas apontam que o aquecimento das águas e a ampliação da vigilância podem explicar o aumento das ocorrências.
Ameba 'comedora de cérebros' avança para novas regiões e preocupa especialistas
Uma infecção rara, mas com alta taxa de mortalidade, voltou a chamar a atenção de pesquisadores após o registro de novos casos da ameba Naegleria fowleri em diferentes partes do mundo. Conhecida popularmente como "ameba comedora de cérebros", ela vive principalmente em águas doces aquecidas, como lagos, fontes termais e piscinas sem manutenção adequada, podendo atingir o cérebro quando a água contaminada entra pelas narinas.
O tema ganhou destaque após pesquisadores observarem um aumento no número de registros em locais onde a presença do microrganismo era considerada incomum. No ano passado, a Índia registrou mais de 200 infecções, o maior surto já documentado, enquanto novos casos continuam sendo identificados. Em abril deste ano, uma criança de nove anos morreu em Rondônia após contrair a infecção causada pela ameba.
Segundo especialistas, entre 1962 e 2023 foram contabilizados 488 casos da doença em todo o mundo, sendo aproximadamente 97% deles fatais. Historicamente, a maior parte das ocorrências foi registrada no sul dos Estados Unidos, no Paquistão e na Austrália. Entretanto, nas últimas duas décadas, a infecção também passou a ser detectada com maior frequência em países do hemisfério norte, como Itália, Bélgica e Eslováquia, além de estados mais frios dos Estados Unidos.
Pesquisadores apontam que o aquecimento das águas provocado pelas mudanças climáticas pode favorecer a expansão do habitat da Naegleria fowleri. Outra hipótese levantada é que a melhoria nos métodos de diagnóstico esteja permitindo identificar casos que anteriormente passavam despercebidos.
A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz durante mergulhos ou outras atividades recreativas. A ameba percorre o nervo olfatório até o cérebro, onde provoca a meningoencefalite amebiana primária, doença que evolui rapidamente e apresenta sintomas semelhantes aos da meningite nas fases iniciais, dificultando o diagnóstico precoce.
Especialistas afirmam que crianças representam a faixa etária mais afetada, tanto pela maior frequência de atividades aquáticas quanto pela possibilidade de o organismo facilitar a chegada da ameba ao cérebro.
Embora extremamente rara, a doença também pode ser contraída por meio do uso de sistemas de irrigação nasal abastecidos com água não esterilizada. Um caso registrado no Texas envolveu uma mulher de 71 anos que morreu após utilizar água da torneira em um equipamento desse tipo.
Como forma de prevenção, autoridades e pesquisadores orientam que, ao frequentar lagos e outras áreas de água doce aquecida, as pessoas procurem evitar a entrada de água pelo nariz, utilizando clipes nasais ou mantendo o nariz fechado durante mergulhos. Em situações de dúvida sobre a qualidade da água, a recomendação é evitar submergir a cabeça.
Apesar da gravidade da infecção, especialistas reforçam que os casos continuam sendo extremamente raros e que não há motivo para pânico, mas sim para adotar medidas simples de prevenção durante atividades aquáticas.
Fonte: BBC News Brasil/G1.